Prémio Ricardo Esquível Teixeira Duarte atribuído aos projetos do Metro de Argel e da Venda Nova III

A Cenor (atual TPF Planege Cenor) foi uma das vencedoras da 1ª edição do Prémio Ricardo Esquível Teixeira Duarte no âmbito do projeto desenvolvido para o Metro de Argel, Linha 1, Extensão A, cuja construção esteve a cargo de um agrupamento integrado pela Teixeira Duarte – Engenharia e Construções, S.A.. O prémio foi também atribuído, ex aequo, ao projeto da EDP desenvolvido para o Reforço de Potência do Aproveitamento Hidroelétrico de Venda Nova.

Para a obra do Metro de Argel, a Cenor foi a Responsável pela Elaboração do Projeto de Execução e Assessoria Geotécnica à Obra, desenvolvendo os estudos geológicos e geotécnicos, projeto final das escavações, revestimento de estruturas e outras estruturas internas em betão armado, abrangendo também as seguintes áreas de especialização: projeto ferroviário, arquitetura, ventilação, equipamento eletromecânico, iluminação e instalação elétrica, sinalização, telecomunicações e sistemas energéticos, abastecimento de água e sistemas de prevenção de incêndio e drenagem.

A Extensão A da Linha 1 do Metro de Alger  tem aproximadamente 1,8km e foi executada inteiramente em subterrâneo na zona central da cidade, incluindo a execução de duas estações, a Estação Place des Martyrs e a Estação Ali Boumendjel.

A obra, realizada para a Entreprise Mêtro d’Alger, esteve a cargo de um agrupamento integrado pela Teixeira Duarte – Engenharia e Construções, S.A. (TD-EC) e ficou concluída em 2016. O valor dos trabalhos, na parte relativa à TD-EC (40%), ascendeu a cerca de 64 milhões de euros.

Um dos desafios evidentes deste projeto foi o facto de ao longo de todo o traçado se verificar uma densa ocupação à superfície, predominantemente constituída por edifícios de habitação de épocas bastante distintas. Entre estes, destacavam-se os edifícios centenários da época de ocupação colonial francesa, de porte considerável (até seis pisos), e as edificações pertencentes à zona histórica do Casbah (citadela), base da cidade medieval e reconhecida como património mundial pela UNESCO em 1991. Na generalidade, estes edifícios encontravam-se significativamente degradados e fragilizados, não só devido à sua avançada idade e falta de conservação, mas também aos abalos sísmicos que frequentemente afetam a região. Assim, o controlo dos deslocamentos associados às escavações, muitas delas de grande secção e complexidade, foi um tema de primordial importância. Outro aspeto relevante foi a realização dos trabalhos num prazo muito ambicioso e numa zona com um espólio arqueológico muito valioso, que foi preservado pelas Autoridades locais e internacionais.

Particularmente desafiante e inovadora foi a betonagem das imensas galerias da Estação Place des Martyrs, tanto pelas dimensões únicas dos moldes necessários, como pelo faseamento a adotar, sobretudo nas zonas de ligação aos acessos.

 

Prémio Ricardo Esquível Teixeira Duarte: incentivar e distinguir a inovação na Geotecnia
Instituído em 2017 pela Sociedade Portuguesa de Geotecnia, o Prémio Ricardo Esquível Teixeira Duarte visa incentivar e distinguir os autores de soluções de projeto de obras geotécnicas ou de obras com relevante componente geotécnica, que se destaquem por inovações na conceção, no projeto, na execução, nos materiais usados ou no controlo da sua execução.

«O Engº Ricardo Esquível Teixeira Duarte, fundador da Empresa Teixeira Duarte, foi um dos mais entusiastas inovadores geotécnicos que com uma filosofia, “cultura” e atitude comportamental, criou uma empresa especializada em geotecnia, introduzindo e integrando as mais recentes tecnologias da época, lutando por uma Empresa de Engenharia e com engenheiros portugueses, em que foi pioneiro. (…) fundou em 1921 e com outros engenheiros, a Sociedade Portuguesa de Engenharia, (…) veio a ser eleito em 1950 Presidente da Ordem dos Engenheiros, lugar que ocupou até Julho de 1952, (…)» in “Galeria – Ricardo Esquível Teixeira Duarte” (revista Ingenium, Dezembro 1996).

A apresentação dos projetos vencedores da 1ª edição do Prémio aconteceu no dia 27 maio, no 16º Congresso Nacional de Geotecnia, em Ponta Delgada. Trata-se do principal evento da Sociedade Portuguesa de Geotecnia, que se realiza desde 1985, com o objetivo de fomentar o debate técnico e científico entre a comunidade geotécnica nacional, integrando as áreas da geologia de engenharia, da mecânica dos solos e da mecânica das rochas e proporcionando também a troca e atualização de conhecimentos entre os diferentes especialistas na área da Geotecnia.